Dia do Trabalho: você se desconecta depois do expediente? - Blog do RH
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Dia do Trabalho: você se desconecta depois do expediente?

O trabalho excessivo não é nada bom para a empresa, pois aumenta as chances de multas trabalhistas. 

Você, gestor ou colaborador, é capaz de se desconectar do trabalho após sua jornada de trabalho, nas férias ou aos finais de semana? Se sua resposta foi não, é preciso ficar atento. Todos nós sabemos que trabalhar por tempo demais pode resultar em cansaço excessivo, estresse e até em uma doença grave.  E, além disso, o trabalho excessivo não é nada bom para a empresa, pois aumenta as chances de multas trabalhistas.

Ainda assim, o excesso de trabalho, mesmo depois do horário contratual, é recorrente com a maior parte da população do mundo. Pensando nisso, no dia 1º de janeiro de 2017, entrou em vigor na França a lei que garante aos colaboradores, o direito à desconexão do trabalho. O texto da lei exige que toda empresa com mais de 50 funcionários negocie com o sindicato da categoria e com os colaboradores o envio de e-mails e mensagens fora do horário de expediente, ou seja, os funcionários não têm a obrigação de recebê-los e/ou enviá-los fora do horário de trabalho.

No Brasil, não há uma legislação que regulamente isso e, ao que tudo indica, a maior parte da população brasileira (67%, conforme pesquisa do programa Fantástico da Rede Globo) também não consegue se desconectar do trabalho.

A fim de buscar alternativas para que o funcionário se desconecte do trabalho após seu expediente, algumas empresas já começaram a adotar medidas que têm dado certo. E, foi percebendo isso, que elaboramos este artigo. Vamos apresentar alternativas para que você e sua empresa consigam minimizar ou excluir de vez o trabalho após o expediente. Boa leitura!

O que a lei estabelece?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dispõe de regras específicas para a saúde física e mental dos colaboradores, mas não para a desconexão com o trabalho após o expediente. No que se refere à jornada de trabalho, a CLT destaca que ela deve ser de oito horas diárias e 44 horas semanais, sempre observando o intervalo mínimo de 11 horas consecutivas entre uma jornada e outra, bem como o descanso semanal remunerado de 24 horas e até 10 horas diárias de trabalho, entre outras.

A lei tem o objetivo de evitar a exaustão e possibilitar ao colaborador a prática de atividades de lazer, convívio com a família e amigos, com o intuito também de desconexão das atividades laborais após o encerramento do expediente.

Apesar disso, os avanços tecnológicos têm contribuído para o descumprimento dessas leis trabalhista à medida que impedem a desconexão do trabalho, por parte do colaborador. Como consequência, o profissional, mesmo não estando executando ou aguardando ordens do seu superior, ao ser obrigado a responder essas mensagens ou e-mails está trabalhando, o que poderá servir de base para um ajuizamento de ações trabalhistas, com a solicitação de horas extras e até indenização por danos morais/existenciais (por afronta à dignidade da pessoa humana).

Por isso, é fundamental que a empresa tenha cuidado com essas atividades fora do horário de trabalho.

Como evitar isso na minha empresa?

Após oito horas por dia dentro de um escritório ou de uma empresa, comandando grupos de colaboradores ou recebendo ordens o tempo todo, o mínimo que se deseja após cumprir suas obrigações é um tempo para descanso e de lazer, para renovar as energias.

Mas, inseridos em um mundo corporativo tão exigente, acabamos ocupando o tempo livre com tarefas do trabalho, aumentando as chances de não se desconectar, em momento algum, do trabalho.

            Para que a ansiedade e o estresse não sejam companheiros nos períodos de descanso, é preciso observar algumas dicas e segui-las. E, ao invés de tentar mudar todos os hábitos de trabalho, o ideal é encontrar algo que você possa modificar em seu comportamento e começar a partir disso. Confira:

  • Planejamento: estabeleça um cronograma de atividades. Essa lista deve ser seguida diariamente, observando sempre o cumprimento de todas as tarefas. Assim, elas não irão acumular, diminuindo a possibilidade de conclusão após a jornada de trabalho, nos finais de semana ou nas férias. Em caso de férias, o ideal é não sair por períodos muito curtos, pois demoramos alguns dias para nos desligar totalmente da rotina. Se você for gestor, deixe uma planilha detalhada com todas as atividades que sua equipe precisa desenvolver no seu período de ausência.
  • Tenha alguém de confiança dentro da empresa: sempre temos aquele colega ou colaborador ao qual confiamos para deixar nossas tarefas. Saiba que eles são essenciais, pois eles poderão cumprir com alguma atividade importante que deva ser realizada no seu período de ausência. Se você for gestor, é possível treinar alguém para que resolva os problemas nesse período.
  • Deixe o trabalho no trabalho: tente esquecer seus e-mails, seu computador ou qualquer tarefa profissional após sua jornada de trabalho. Com as tecnologias, sabemos que eles podem estar no smartphone, por exemplo. Mas, após seu expediente, deixe-o em um lugar diferente e evite tentar checá-lo constantemente.
  • Distraia-se com atividades não relacionadas à vida profissional: é muito importante que você se desligue completamente da sua vida profissional após o seu expediente e isso inclui não ler livros, artigos, assistir filmes, programas de televisão, ou conversas com amigos sobre assuntos relacionados à vida profissional. Às vezes, mesmo sem perceber, acabamos seguindo esse caminho. É preciso ficar atento.
  • Mude sua rotina: principalmente aos finais de semana, feriados e férias, esqueça os horários e hábitos que possam remeter ao seu dia a dia profissional. Mude sua rotina. Busque novas experiências. Atividade física é uma boa dica. 

Exemplos que têm dado certoanuncio lateral

Como já frisamos, no Brasil não há uma legislação que regulamente a desconexão ao trabalho, mas algumas empresas, não apenas brasileiras, já implantaram ações com esse cunho e elas têm dado certo. Veja!

A Elektro, companhia de energia das cidades do interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, é uma delas. Após a jornada de trabalho de oito horas, todos os computadores são programados para se desligarem automaticamente. Para que isso não ocorra, o profissional precisa justificar ao seu gestor e só assim o setor de TI poderá liberar o sistema. O mesmo ocorre para acessar o e-mail profissional fora do escritório.

Na Alemanha, a Volkswagen foi pioneira nesse sentido. Desde 2011, o grupo bloqueia o acesso aos e-mails da empresa via celulares, entre às 18h15 e às 7h.

Na França, antes mesmo da nova lei entrar em vigor, a empresa Orange, companhia de telefonia do país, criou uma regulamentação acordada com os funcionários para definir um período de não utilização do correio eletrônico.

Então, ficou empolgado com a ideia? Faça isso na sua empresa também. Proporcione qualidade de vida ao seu colaborador. Todos saem ganhando.