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[Entrevista]: Bem-vindos à quarta revolução!

“Estamos vivendo tempos pós-normais: um período marcado por ventos da revolução que carregam três palavras: contradições, complexidade e caos. “

“Vivemos uma nova revolução, são novas palavras e sentidos, tempos de mudança complexas, aceleradas, dinâmicas, explosivas, radicais, com uma nova realidade-virtual, e uma nova economia disruptiva. Sabemos mais do que podemos explicar.”

O ensinamento acima é do web ativista Gil Giardelli, difusor de conceitos e atividades ligadas à sociedade em rede, colaboração humana, economia criativa e estudos do futuro. Por onde passa, difunde ideias inovadoras para o empreendedorismo social. Em 2018, criou o MBA da Gestão da Mudança e a Transformação Digital para o CNI (Conselho Nacional da Indústria) para colaborar com a Indústria na sua transformação no século XXI. Em maio, Giardelli esteve em Gramado, onde participou como um dos palestrantes master do Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos (ESARH 2018), realizado pela ARH Serrana. Nesta passagem pela região, conversou conosco sobre esses conceitos e, em especial, uma palavra que muito o inspira: futuro.

Confira os principais trechos da entrevista.

O QUE PODEMOS ENTENDER POR TEMPOS PÓS-NORMAIS?

Precisamos ter tempo para pensar e mudar. Refletir sobre um mundo todo construído no período pós-Segunda Guerra Mundial. São tempos de nascimento da World Futures Studies Federation (WFSF), grupo parceiro da Unesco no qual temos a missão de estudar o futuro e pensar em soluções globais. Acostume-se a escutar e a utilizar no seu dia a dia, nas próximas décadas, termos como supremacia quântica, inteligência artificial emocional, agricultura vertical, fabricação atômica precisa, vision machine, matemathical thinking, M2M (machine to machine)…

JÁ HÁ MUITA COISA FEITA NESSE SENTIDO OU SÃO APENAS IDEIAS…?

Tudo está acontecendo de forma muito acelerada. O conceito de Destruição Criativa, popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter no final dos anos 30, acabou sendo revista em termos de curva de tempo. O que antes se previa para 100 anos passou a ser previsto para 50, e dos 50 anos para já. O fato é que se você não colocar uma ideia em prática, alguém o fará em poucos dias. Trata-se da invenção simultânea. A Unilever afirmou que vai usar blockchain na publicidade, impulsionando e simplificando a cadeia de fornecimento de mídias digitais. A Nestlé, na China, lançou um dispositivo com inteligência artificial, um assistente para responder perguntas sobre nutrição dos consumidores. A Yamaha usou inteligência artificial para transformar os movimentos do mais famoso dançarino japonês em música de piano. A Ford equipou seus trabalhadores com exoesqueleto. A Nissan criou a tecnologia brain-to-vehicle (B2V), decodificando sinais do cérebro dos motoristas, conectando-os a carros que aprendem com as pessoas.

ESSAS SERÃO MUDANÇAS MAIS VISÍVEIS NA INDÚSTRIA OU TAMBÉM NO COMPORTAMENTO SOCIAL?

Elas andam juntas. Temos o início de uma indústria de genomics analytics. Ela combina sequência de DNA com neuromarketing e inteligência artificial para ser preditivo em criação de produtos, desejos e motivações dos consumidores. E vem aí o neuro ads e o directing to brand (D2B): um mix de marketing digital com neurociência, que gerará bilhões de personalizações baseadas em necessidades das pessoas, prometendo movimentar centenas de bilhões dólares nos próximos anos. Uma nova pirâmide de Maslow?

O AVANÇO DAS NOVAS TECNOLOGIAS, AS INCERTEZAS QUANTO AOS RUMOS DA ECONOMIA E A DIVERSIDADE CULTURAL E COMPORTAMENTAL DAS NOVAS GERAÇÕES AJUDAM A TRAÇAR ALGUMAS TENDÊNCIAS PARA A ÁREA DE RECURSOS HUMANOS, INCLUSIVE EM RELAÇÃO A NOVAS E PROMISSORAS PROFISSÕES. QUAIS SERÃO AS PROFISSÕES DO FUTURO?

Por enquanto, o que aparecem são novas profissões baseadas em supercomputação: chief data officer, engenheiro de internet das coisas, nanomédico, ciberpolicial. São centenas de novas carreiras nascidas da combinação entre inteligência humana e digital à sua espera. Acredito que viveremos uma Atenas digital ou a nova Atlântida de Francis Bacon. Uma sociedade sem trabalho, em que voltaremos a jogar e criar nas ruas e debater nas praças públicas sobre democracia, filosofia e artes. Em uma fluidez nômade, voltaremos à arte da simplicidade, à arte do essencial, à arte da frugalidade e do prazer e a leveza lúdica, a leveza estética, a leveza da embriaguez. Como disse o futurista William Gibson: “O futuro já está aqui, está apenas distribuído desigualmente.”

A RELAÇÃO HOMEM X MÁQUINA SERÁ CADA VEZ MAIS EXPLÍCITA? COMO SE DARÁ ESSE PROCESSO?

O incontrolável desejo humano de resolver problemas nos leva às portas da computação cognitiva. Nesse futuro cada vez mais próximo, homens e máquinas vão trabalhar juntos para resolver os problemas mais complexos do mundo. A capacidade de análise e de compreensão de dados das máquinas vai nos ajudar a resolver as mais ameaçadoras epidemias, a desenvolver a cura do câncer e a encontrar uma solução para a crise hídrica. Vamos usar as máquinas para investigar crimes e organizar o trânsito. Para Thomas Malone, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts ), não se trata de uma oportunidade de fazer coisas incrivelmente inéditas, mas de uma necessidade. Precisamos, segundo Malone, construir um sistema operacional social. Nesta era em que tudo e todos estão conectados, precisamos de humanos e computadores trabalhando em conjunto para formar um único cérebro global. Ao mesmo tempo, a computação cognitiva tem o poder de eliminar muitos empregos, inclusive os mais qualificados e dependentes de raciocínio. Os mais radicais futuristas chegam a prever o fim do trabalho.

HÁ UMA REVOLUÇÃO A CAMINHO, ENTÃO?

Sim, a quarta revolução. A primeira revolução industrial se deu na invenção das máquinas de tear e a vapor. A segunda, a da eletricidade. Em 1980, houve a entrada da tecnologia e dos computadores em massa. Agora, na quarta revolução, teremos a união da inteligência artificial de robôs e humanoides com seres humanos. Estamos vivendo a quarta revolução industrial, que é a união entre os mundos físico, digital e biológico. A inovação não tem idade, mas pede velocidade. Se o assunto pressa no trabalho lhe dá calafrios, prepare-se. Para dois consultores de estratégia americanos, Paul Nunes e Larry Downes, velocidade é o mais valioso bem que você pode ter nos negócios hoje em dia.