[Entrevista]: Governança corporativa - Blog do RH
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[Entrevista]: Governança corporativa

A Governança Corporativa é um formato administrativo que prima pelo profissionalismo e principalmente pela transparência.

Claudia Mendonça Lemos é economista pela UCPel, mestranda em Economia na Unisinos, especialista em Gestão de Cooperativas de Crédito pela Unisul, Mercado de Capitais pela UFRGS e em Gestão Empresarial pela PUCRS. Possui experiência na área da docência e é conselheira independente pela Fundação Dom Cabral.

O que é a Governança Corporativa?

A Governança Corporativa é um formato administrativo que prima pelo profissionalismo e principalmente pela transparência. Quando se fala em profissionalismo perpassa os papeis de cada instância, permitindo assim um andamento mais claro e de melhor resultado para a empresa. Além disso, ainda há a questão de controles e riscos, a área de compliance, para atender aos princípios éticos e empresariais necessários para o bom andamento dos negócios.

Este modelo é aplicável em qualquer empresa?

Sim. É possível aplicar princípios de Governança Corporativa mesmo em pequenas empresas, como por meio de uma contabilidade bem executada. No entanto, em sua forma mais ampla aplica-se a estruturas mais complexas, é mais necessária e também mais exigida. Numa empresa de capital fechado, será importante para a formação de capital, expansão e criação de sociedade. Por sua vez, para um pequeno negócio familiar ter sucesso, ela também precisa ter o mínimo de uma estrutura de Governança.

De que forma as empresas podem iniciar a implementação do modelo?

O início de tudo é a vontade estratégica da empresa, que sente que cresceu e precisa estrutur-se de uma forma mais profissional. Pois, apesar do sentimento do dono, há um ponto em que, se não incluir outras pessoas, poderá distanciar-se da condição de crescimento. O momento ideal é quando a empresa cresce, tem a ambição de desenvolver-se mais e torna-se difícil para os donos administrarem todas as linhas de frente que a organização exige. Não existe um período cronológico, mas qualitativo, quando a empresa tem clientela e mercado para desenvolver-se e precisa de uma estrutura mais ampla, para atender a esse novo momento.

Como se pode definir o grupo que será responsável por deliberar as decisões na empresa?

Se entende sempre como a formação de um Conselho Administrativo, que toma as decisões e dá as diretrizes para a Diretoria Executiva. Também pode haver um Conselho Consultivo em empresas familiares, que cuida da essência empresarial. E é necessário que haja o encontro entre ambos, porque há a visão estratégica e empresarial, mas também há os objetivos familiares.

Quais os desafios de implementar a Governança Corporativa em empresas de pequeno e médio porte? E em empresas familiares?

O primeiro desafio é que as pessoas que formam a cúpula, em empresas de qualquer porte, entendam a necessidade da implementação. Além disso, o ideal seria que percebessem o valor de uma estrutura mais formal, não somente pela necessidade. Em empresas familiares, há também o desafio de organizar um Conselho Consultivo, uma vez que nem todos os herdeiros poderão integrar o Conselho Administrativo ou atuar efetivamente na organização.

Quais os benefícios que o modelo traz às organizações interna e externamente?

Internamente, a empresa possibilita uma carreira ao colaborador e, por isso, as pessoas também investem mais nela. Já externamente, é perceptível ao cliente que a empresa é mais estruturada, devido à transparência das informações, o que também motiva a maior vinculação do consumidor à marca. A estruturação também é importante na  busca de capital de terceiros para desenvolvimento da empresa, e pode atrair o interesse de investidores para ingressar na organização com mais segurança.

Além disso, a Governança Corporativa agrega profissionalismo e sustentabilidade, pois o conhecimento não fica restrito a uma pessoa, mas estrutura a organização de forma mais democrática, com mais áreas e profissionais no comando. Se a empresa possui um conselheiro independente terceirizado também é benéfico, porque apresenta uma nova visão e torna-se  um agente de mudança positiva.

Há riscos na implementação da Governança Corporativa? Quais?

Sempre existe risco. O principal contra a Governança seria não conseguir conquistar as pessoas para aderir ao modelo, o que alongaria o tempo de implementação. O ideal seria sensibilizar a todos para essa estruturação, muito mais do que somente impor. Outro risco é que por haver mais pessoas influenciando as decisões, também se devem existir maiores controles internos e uma área de compliance, que alinhe as questões tanto internas quanto externas.

É possível voltar a um formato tradicional e vertical de gestão após a implementação da Governança Corporativa?

Como diria Einstein, “a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”. Acredito que seja praticamente impossível retroceder, porque a prestação de contas, a transparência e a segurança para todos os envolvidos na empresa são uma condição melhor.

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